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13.5.09

Madrugada e meia V4

Desde cedo meus olhos verdes me rendem belos elogios, minha mãe era muito pobre e meu pai nem cheguei a conhecer. Com 12 anos ela me deixou aos cuidados de Madame Beatriz, uma senhora que ia todos os anos em nossa cidadezinha e sempre que vinha comprava alguma propriedade, haviam muitos rumores ela era muito rica, então sem muitas esperanças de futuro minha mãe resolveu deixar-me aos cuidados dela, acreditando assim garantir um futuro para mim.
Madame Beatriz me levou para sua casa, que era enorme, linda, haviam vários quartos e tinha muitas meninas por lá, era uma manha de sábado linda, essa casa ficava na Serra entre Santos e São Paulo bem no meio do mato, seu único acesso era pela Via Anchieta, depois eram estradas de terra batida Serra adentro.
Nos primeiros dias fui tratada como uma princesa, todas as meninas que moravam ali foram amáveis comigo, menos Isabel que ao me ver encarou-me fundo aos olhos e exclamou que meus olhos seriam minha própria maldição, meu corpo ia ser tragado num gole só na primeira noite, eu para ela era fraca. Mas não entendi o motivo de tanta raiva, afinal, havia acabado de chegar naquela pousada, as meninas disseram que ela era assim mesmo, e que estava somente com ciúmes por deixar de ser a mais nova, a xodó da Dona Beatriz.
Passaram 3 dias de princesa para ter a pior noite de toda minha vida, neste dia logo pela manha o clima de euforia em algumas garotas e o olhar triste de outras anunciará desde cedo que seria a famosa: “Chegada dos Bacanas”. A noite todas nós se arrumamos, perfumamos e eu na minha ilusão de que seria uma simples festa.
Eu não sabia que aquela seria a noite de minha iniciação, não sabia também que aquilo era um prostíbulo e eu era a mais nova aquisição da Madame Beatriz.
Eu fui vendida a um velho gordo, que fedia a estrume, ele tentou me beijar e por varias vezes neguei, então Madame Beatriz chamou-me de canto deu-me um tapa no rosto e disse:
- Agora minha filha agrade aquele homem, faça tudo que quiser se quiser comer daqui por diante, não será só ele então rápido , enxugue as lágrimas deste rosto e faça o que eu mandei!
Mal havia sentado novamente do lado daquele gordo nojento e ele me pegou pelo braço, me puxando com força, enquanto soltava gargalhadas e dizia:
- Vamos garota eu não tenho a noite toda, hahaha, vou te domar é hoje!Ele me levou para o quarto me jogando na cama assim que entramos, ele tirou a camisa e gritou, para eu tirar minha roupa, eu estava com muito medo e chorava muito enquanto ia despindo-me até que, sem paciência aquele porco começou a me bater, enquanto estava em cima de mim, dizia varias coisas obscenas, então levei minha cabeça aos tempos em que vivi com minha mãe para confortar-me diante aquele horror.
Passei neste lugar por quatro longos anos, aprendi tudo o que não presta e o que não deve ser feito, até que um dia um dos meus clientes, um senhor peculiar me pediu em casamento para Madame Beatriz e ela aceitou.
Este cliente se chamava Jonas, e tinha 89 anos ele toda semana estava na Casa de Madame Beatriz e era o único que freqüentava aquele lugar para não fazer sexo ou usar drogas, ele era viúvo e muito solitário então ia até lá por causa da animação da casa. O conheci no primeiro ano e então nos tornamos amigos, ele pagava para que durante toda a madrugada apenas conversássemos.
Naquela noite fomos para São Paulo, ele morava sozinho em uma casa no jardim paulista, mas me deixou em um hotel dizendo que iria preparar o casamento, eu não acreditei de inicio tinha uma sensação de que iria acabar em pesadelo este sonho, mas ele em dois dias havia preparado tudo e eu estava subindo num altar com ele, eu pude casar porque a madame Beatriz, para me trazer para São Paulo falsificou meus documentos, tudo correu bem, o salão da festa, tudo tão maravilhoso.
Durante esta festa Isabel chegou e perguntou se naquela noite eu faria sexo com meu príncipe encantado, dando-me dois Viagras de forma sigilosa, eu então os coloquei na alça do vestido e retribui com um sorriso safado, afinal seria uma boa forma de agradecer aquele homem que me livrará de Isabel e de todo aquele inferno.
Meu doce engano, eu coloquei um comprimido na taça de champanhe do Jonas e depois de uma festa super animada, fomos embora e quando chegamos no quarto, o comprido começou a fazer efeito, ele estava todo animado, sinceramente nunca havia feito sexo daquela forma tão gostosa, a sutileza do amor que deu liberdade ao fogo e na madrugada um gozo intenso, na manha seguinte ele estava morto. Um ataque cardíaco durante o sono fez com que ele me deixa-se viúva, com apenas 16 anos e eu sem saber o que fazer chamei a policia.
Os policiais descobriram que eu estava com documentos falsos e o comprimido de Viagra que ainda estava em meu vestido, me chamaram de aproveitadora, falavam a todos instantes: - Viúva Negra, sua Viúva Negra. - Eles me levaram para a FEBEM por falsidade ideológica e tentativa de homicídio, mas graças ao advogado do estado, que freqüentava os salão da Beatriz fui solta por um Habeas Corpus.
Durante os primeiros três dias ofereci meu corpo por dinheiro, e no quarto dia já havia garantido um mês de aluguel de uma casa pequena, sai para procurar emprego e consegui um em um bar como atendente, tocava umas musicas estranhas e as pessoas era esquisitas, mas gostei do lugar.
Eu aluguei uma casa nos fundos desse bar, então com o tempo eu me tornei conhecida no bar, todos os garotos queriam ficar comigo, alguns eu confesso que adorei ter em minha cama, outros nem tanto. Durante meu expediente comecei a locar minha cama para alguns casais, gerando assim uma renda que dava para me manter, um dia durante o trabalho atendendo aos bêbados estranhos que freqüentavam aquele bar fui cantada por um moreno alto, que falava baixinho, tomava doses de tequila como se fosse água.
Conversamos bastante, até que terminou meu expediente, saímos dali e fomos a um outro barzinho, o qual pude compartilhar de algumas doses, ele falava sobre vários assuntos, mas meu interesse era em sua boca, mas como num passe de mágica o cara apagou, caiu desmaiado em cima da mesa e eu tentei reanimá-lo, mas sem sucesso então liguei de um orelhão para uma ambulânica vir retira-lo.
Chegando no hospital ele foi encaminhado para uma sala com varias macas e apenas um rapaz no canto tomando soro que estava dormindo, logo ele acordou e continuamos a conversar, parecia que não havia acontecido nada com ele, mas devido a minha precaução ele não entrará em coma alcoólico. Em um determinado momento o rapaz ao fundo levantou-se e foi se aproximando, e quando chegou perto caiu no chão, então eu com a ajuda do Jhonny colocamos ele na maca ao lado.
Pouco depois Jhonny caiu mais uma vez em sono profundo, sendo que neste momento resolvi ir para casa, deixei meu endereço anotado junto a sua carteira e sai do hospital.
Por ter sido acusada de roubo tive que sair daquele emprego e por conseqüência de minha casa, acabei passando dias em pensões e hotéis, até que encontrei com Izabel na rua, eu estava indo ao mercado comprar uma garrafa de vodka para aliviar o stress e a encontrei caminhando pela rua desnorteada e perdida.
Conversamos um pouco e ela me contou que havia fugido da casa da Madame Beatriz e estava morando em uma casa na zona norte, ela não iria conseguir pagar o mês de aluguel e estava em desespero.
Como se, por obra do destino decidir morar com ela, eu tinha uma grana guardada e não estava gostando de pular de canto em canto para dormir, foi daí que nasceu uma amizade forte com ela, nos tornamos irmãs! Sempre saiamos para bares e festas, bebíamos juntas e aquilo realmente era muito divertido.
Um amigo de Izabel no convidou para ir a uma festa, nesta festa haveria uma banda que iria tocar Sex Pistols que eu adorava, me arrumei inteira para aquela festa, estava inteiramente montada, pronta para uma noite de diversão. Na ultima hora Izabel desistiu de ir, mas fui mesmo assim. O palco era imenso e o show estava lotado, era em um galpão que não tinha luz, todos estavam muito bêbados e foi no meio destes bêbados que encontrei o homem que mudaria minha vida.
Aquele era tipo misterioso, mas era familiar ele chegou em mim, me chamando pelo nome e não como todos de Viúva Negra o que me fez dar-lhe mais atenção do que devia, eu estava bêbada e só por ele saber meu nome já ganhou caricias maliciosas e beijos no canto da boca, ele era bom de papo e conforme a conversa se fez, indo show afora ele me disse que era o cara do hospital e que naquele dia havia bebido todas.
Desta vez eu estava muito bêbada, e confesso que ele me agradou desde o primeiro momento então dentro daquele galpão lotado de gente nos fizemos o amor mais selvagem que conheci em minha vida, claramente não deixei que aquele escapasse, eu tinha comigo a necessidade de ter alguém do lado, ainda mais alguém que era uma maquina de proporcionar prazer!
Vivemos bem por alguns meses, até que ele começou a ter medo que eu o mata-se, todo o dia brigava muito comigo, resultando em marcas roxas em ambos, uma vez ele me deixou com os dois olhos roxos depois que quebrei uma garrafa de absinto em sua cabeça.
Em uma outra que no meio de um barzinho, ele se enfia no banheiro com duas piranhas atrevidas, que viviam dando em cima dele, não pensei duas vezes descendo a lenha naquele infeliz traidor! Ele me deu um tapa na cara e saiu como sempre fazia em nossas brigas, sabe, virava de costas e saia andando sem falar uma palavra, depois de horas voltava, mas daquela vez foi estranho ele me olhou com lágrimas nos olhos, então senti que não mais o veria, mas devido ao nervosismo estava estática, sem reação olhava ele se afastando, nisso um aperto no coração e um nó na garganta me fez desmoronar em choro e ir atrás dele, ele por mais estranho que fosse, por mais paranóico que se mostra-se era um amor de pessoa, me realizava e eu não podia perde-lo assim.
Eu o segui por algumas quadras até que ele parou, do nada ele puxou uma faca para mim, e começou a gritar: - Sai de perto de mim, eu não quero morrer na sua mão! – eu fui me aproximando de vagar, via claramente que ele não estava normal e então ele veio tentar desferir uma facada em minha barriga, sendo que eu apenas afastei para o lado e ele caiu no chão, nisso abaixei para retirar a faca de sua mão antes que ele se machuca-se, mas infelizmente por ele se debater demais acabei o ferindo na face, aquele sangue jorrava de teu rosto o que me causou um medo incontrolável, nisso escutei um barulho estranho e com medo de ser a policia eu corri, desesperadamente corri sem destino sem olhar para trás.
Cheguei depois de algumas horas no barzinho onde estávamos, com a mão ainda molhada de sangue, tranquei-me no banheiro para higiene e sai tentando disfarçar que nada ocorrera entre eu e meu namorado. Logo chegou a noticia no bar, uma gang havia lhe esfaqueado e ele estava em um hospital próximo então fui até lá e depois de algum tempo levando pontos na cara eu o levei para casa.
Nós morávamos em uma casa invadida, sem nenhum móvel, apenas uma cama de casal e era aquilo que nós tínhamos, ele além de beber usava muitas drogas e eu acabei pegando o mesmo gosto e naquela semana que passou nos internamos a álcool e drogas, eu não sai de casa, afinal era ele que buscava tudo. Depois de seis dias vivendo a base da loucura ele saiu em busca de mais cocaína mas quando voltou estava com uma arma, era daquelas com o tamborzinho aparente, calibre 38, ele parecia uma criança feliz, chegou e disse, pronto agora eu começo a roubar e saímos dessa dureza, veja quantas balas eu trouxe?
Eu como nunca havia pego em uma arma, quis ver como era sentir ela na mão, o peso e o poder que ela passa, e assim ele me entregou, abri o tambor de maneira atrapalhada e fui retirando bala por bala, deixando apenas restar uma única, para fechar girei o tambor e segurei firmemente em direção a ele, o gatinho estava encaixado perfeitamente em meu dedo indicador então: “Click” apertei o gatilho por acidente, na hora pensei tê-lo matado e o susto fez com ele arranca-se de minha mão a arma.
Neste momento ele apontou para minha cabeça e disse:
- Você gosta de fazer roleta russa? Vamos ver se gosta de fazer ela com a mira na sua cabeça? “Click, Click”
O suspiro foi inevitável aos dois sons da falha da arma e o desmaio se tornou inevitável, ao acordar ele estava morto ao meu lado havia levado um tiro na cabeça, mas na parte de trás suspendendo o suicídio como hipótese de morte.
A imagem dele caído ao meu lado, ainda com os olhos abertos me olhando, não sai da minha cabeça, a tristeza por dois amores mortos invadem minha alma me fazendo se isolar mais uma vez do mundo. Mas devido a televisão que fez do caso a noticia da semana ainda mais pesava a dor que eu sentia.
E graças a veiculação da noticia Beatriz novamente me procurou, dessa vez dizendo que pagaria as contas comigo, que ele quando precisou de alguém fui eu quem ajudou então ela devia me ajudar naquele momento.
Aquela semana foi horrível, não queria sair da cama, chorava o tempo todo, duvidei até que um dia seria feliz, mas chegado o final de semana, Beatriz me convenceu que deveríamos sair para jogar bilhar, não vi problemas, afinal, nada de mal poderia acontecer por uma partida, então nos dirigimos a um bar na rua de cima da casa onde Beatriz morava.
O jogo até que foi tranqüilo, até que dois caras me seguraram pelos braços me deitando em cima da mesa, pensei na hora que se tratava de estupro então comecei a me debater, a chutar e a gritar, nisso levanta o Jhonny e começou a socar os caras que me seguravam, eu em desespero peguei uma garrafa que estava em cima da mesa e a quebrei na cabeça de um dos dois, depois dele ter dado um soco no Jhonny e com os cacos desfiei a barriga do outro que vinha com um pedaço de pau. A confusão se fez inveitável, garrafas voando, cadeiras quebradas, gritaria e o sangue nas minhas mão novamente. Uma faca que caíra das mãos de um cara acabou sendo enterrada no corpo de um de meus agressores.
Eu não conseguia tirar os olhos do Jhonny, que a tanto não o via e como ele estava forte e bonito, então a policia chegou, claro que de todas as pessoas só ficaram eu e ele.
Dentro da viatura depois de ter sido jogado desacordado acabei colocando o Jhonny em meu colo, fazia caricias como se faz em uma criança, ele ficou aconchegado até que acordou.
Pouco depois trancafiados em uma cela suja na delegacia, momento em percebi que Jhonny não me reconhecia, me perguntando o que havia acontecido, já em desespero e em seu desespero me acusou de ser uma assassina e eu o acalmei selando tuas lástimas com um beijo, beijo este que logo se tornou um incêndio, apagado com a figura de um policial que veio nos libertar.
Saímos da delegacias, de braços dados e Jhonny todo animado dizendo que nunca tinha encontrado uma garota como eu, queria logo sair daquele chiqueiro para ir a um lugar mais tranqüilo, onde poderíamos continuar o que começamos na cela, claro que a idéia era bem vinda, já que desde a primeira vez que o encontrei havia ficado algo faltando.
E algumas ruas adiante, novamente aqueles caras, eram muitos e de alguma forma queriam minha morte, não entendia porque, não sabia o que tinha feito para eles, então Jhonny segurou forte em minha mão e a soltou, olhou no fundo dos meus olhos e murmurou: - confie em mim.
Ele se virou para o grupo e me colocou com um troféu para a briga que estava prestes a começar, então do outro lado, junto com todos aqueles marmanjos, um magrelo de cabelo laranja e que era o único que falava puxou do bolso uma faca, seria a mesma faca abrigada no corpo do cara no bar?

1 Comentário:

ex amelias disse...

Oi, Átila
Tenho andado num corre-corre, sem muito tempo para blogar.
Passei hoje por aqui e vi esse post...adorei!! Deixei a página aberta e li aos poucos entre uma paciente e outra...sua história me prendeu a atenção e eu não quis deixar para depois.
Parabéns, você retratou uma realidade que muita vezes não nos damos conta. Vou aguardar a continuação, tá?
Beijo
Solange

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