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23.12.08

Historias da cidade - parte I


Desci com minha ilusória sede de narcóticos resolvi transformar o que quer que restasse do meu cérebro em pastrame. Assim que comecei a andar um casal de jovens passou por mim e eu lati para eles, que deram um salto na outra direção. Eu era um cachorro louco solto na noite da cidade grande.
Meu amigo Y sabia que eu não estava bem e resolveu me encontrar no bar, pra ele tudo era desculpa pra encher a cara, e devo admitir, eu não via nada de errado nisso. Pedi que levasse umas amigas se conseguisse e de fato, quando cheguei no bar, as palavra "Nossa! Nossa!" vieram à mente - a amiga de Y era realmente bonita, morena de pele clara, cabelos curtos um pouco depois do pescoço, e aparentemente não sentia frio. Eu por outro lado, devidamente agasalhado com um jaqueta velha e uma calça jeans relativamente limpa, tinha passado a noite anterior em claro e cultivara uma olheira enorme e estava com um começo de gripe que deixava a ponta do meu nariz vermelha e minha voz um tanto anasalada. Ela simplesmente não tinha como resistir, pensei comigo mesmo. Cumprimentei os dois e me sentei, tentando afastar ao máximo Anita de meus pensamentos.
A noite tinha o mesmo ar surreal que uma canção de Bob Dylan. A atmosfera amarelada do barzinho misturada com a cerveja me deva a impressão de que nada daquilo era real de fato,e sim real como um sonho é real. Sentados ali, conversamos durante uma hora ou duas sobre os mais diversos assuntos e sobre nada realmente interessante, Nina - esse era o nome da bela amiga de Y - falava pelos cotovelos, e eu ouvia atentamente ao que ela dizia pensando em um jeito de leva-la para cama, enquanto isso mantia meus pulmões constantemente cheios de fumaça.

Não demorou muito e a cerveja acabou, junto com o dinheiro que estávamos dispostos a gastar em cerveja, o que no meu caso era tudo o que eu tinha. Então uma certa altura Nina perguntou o que fazia pra ganhar dinheiro. “Eu sou escritor” - respondi, mal sabia ela que eu trabalhava feito um cachorro numa locadora de videos o dia todo, e mesmo que quisesse não acharia tempo para escrever. Eu não tinha motivo pra mentir, estava mentindo só para passar o tempo, mas ela pareceu gostar muito da minha resposta, e acho que fez sentido, levando em conta ashistórias malucas que havia contado. “Sério?” Ela começou com empolgação “E sobre o que você escreve?”
“Você sabe como é, eu escrevo de tudo um pouco, teve uma vez que escrevi até uma matéria pra uma revista de cachorros, era sobre como entender melhor o comportamento dos bichinhos, mas eu mesmo acho que tem muito cachorro doido por ai, não da pra enteder muito não, eu só escrevi mesmo por que estavam me pagando” - Enquanto falava percebia o quanto a bebiba havia alterado minhas funções mentais, Nina me olhava com uma cara de interrogação enquanto Y se rachava de rir. Continuei: “Sabe como é, ser escritor é foda nos dias de hoje, mas agora estou trabalhando num romance, é meio que uma biografia romanceada, ou um romance baseado em fatos reais sabe? É sobre um amigo meu que é cego, ele conta que perdeu a visão depois de ter mexido em uma macumba que ele achou na porta do cemitério, tinha uma boneca de pano com dois pregos no lugar dos olhos e uma cesta com umas coisas estranhas, daí ele levou a bonequinha para casa e começou a perder a visão. Um dia levantou pra pegar cerveja na geladeira, tropeçou e caiu no chão, estava cego. Ele jura que nessa hora ele teve uma sensassão muito forte de que a boneca de pano estava ali, de pé, rindo da cara dele. Ele disse que podia senti-la, e que depois desse dia nunca mais achou a boneca, mas ainda assim quando está sozinho em casa, ele tem certeza de que ela está ali... esperando...”
“Para com isso!” interrompeu Nina que apesar de ter rido um pouco estava começando a ficar com medo.
“É” - disse eu - “Vai ser um romance de auto-ajuda, para cegos, estou escrevendo em braile” e quando eu disse isso Y estava rindo tão alto que eu achei uma boa ideia a gente sair do bar, até por que o copo vazio e as garrafas vazias e o bolso vazio estavam começando e me deixar inquieto.
Nina, que me olhava com olhar de espanto e admiração, tinha ficado genuinamente interessada e perguntou se eu já havia publicado algum livro, por que eu parecia tão novo e tudo o mais.
“Não, está sendo realmente difícil” respondi “a coisa ficou tão ruim pra mim, que ultimamente, pra ganhar algum dinheiro eu tenho que passear com cachorros, alguns dias até três vezes numa tarde só. Daí tenho que buscar o cachorro na casa da pessoa e levar de volta, chego em casa tão cansado que nem dá pra escrever direito.”
“Poxa” disse Nina, com um ar de solidariedade. Então Y que havia se recuperado do seu acesso interrompeu “Mas a gente nunca deixa ele passar fome, ele sabe que sempre que precisar pode contar com os amigos, até quando ele precisa de comida ou lugar pra dormir sabe sempre que pode aparecer na minha casa...”
“Na minha também” Nina interrompeu um pouco insegura, demonstrando toda sua ingenuidade “eu moro aqui perto”. Ela havia realmente gostado de mim, e minha história mexera com ela, eu estva começando a me sentir culpado por não ser um escritor de verdade, embora desejasse isso. “É isso ai Narizinho” Y completou com um ar zombeteiro e saímos pra rua.

Continua.... Quem sabe um dia

1 Comentário:

Milla * disse...

Acho difícil esse texto ser apenas uma história da cidade. Com certeza tem uma moral, uma visão subjetiva ou algo assim por trás, coisa que, na minha inocência ao maior estilo 'Nina', eu não consegui captar. De qualquer jeito, eu gostei bastante do texto, achei os personagens bem familiares.

E falta tanto pra 'um dia'.. eu aguardo a continuação. Mas vou esperar sentada, pode deixar :)

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